segunda-feira, 30 de novembro de 2009

As tantas expansões de Venturi


A maturidade do artista e da obra: Adauto Venturi nos conta de sua relação com a arte que faz atualmente e fala sobre a última exposição


“Minha obra é como a própria natureza: vai crescendo, vai amadurecendo”, apresenta o artista plástico Adauto Venturi, há mais de 30 anos na profissão, contabilizando diversas exposições.
"Expansões", sua última mostra, realizada em outubro na Galeria Spazio Dell’Arte, além de quebrar um jejum de 2 anos sem expor, revela a maturidade pessoal e artística de Venturi, que já se aventurou pela estamparia, artes aplicadas e há 4 anos se dedica exclusivamente à produção de arte, expressando na pintura e na escultura suas tantas inquietações.
Resultado de uma produção incessante de 3 anos, "Expansões" mescla um sem número de referências e questões, algumas provenientes de uma série anterior, "Florais de Venturi". "É um total de 10 quadros por ano", justifica, revelando que alguns quadros levaram até 15 camadas de tintas. O resultado é exuberante e intrigante. Flores e cores se fundem com traços rígidos e vigorosos. "Eu quis abrir mão do desenho. Eu quis libertar a pintura", conta.
Nessa libertação, questões extremamente pessoais foram representadas, numa forma catártica de auto-libertação. "Há o caos e depois a libertação. Eu tento ordenar o caos", filofosa. Essa prática, de ordenação, só foi possível no individualismo e solidão de seu ateliê, que possibilitou-o entrar em estado meditativo para colocar as tintas na tela e formar, de forma espontânea, esses "redemoinhos intencionais".
Praticante da filosofia zen, Venturi identifica hoje a voz do silêncio, que naturaliza sua obra. "O próprio trabalho criou a sensação de expansão, tem uma profundidade. Ele tem uma evolução física", dignostica o artista, conhecido por finalizar suas obras com cera de abelha, para "dar uma opacidade no trabalho", diminuindo ainda mais o contraste, característica quase ausente em seus quadros.
A obra e os argumentos, construídos com o tempo, ainda é novidade para ele. A própria fase decorativa é um passado, hoje sua tendência é explorar ainda mais o impressionismo. Tanto é, que ele identifica a dificuldade de assimilação das pessoas, caráter que o instiga ainda mais. Afinal, Venturi revela: "Minha obra é minha poiésis", e "ler" essas tantas expansões líricas do artista é algo encantador.
Contato do artista: (32)9119.7669
Mauro Morais






Onde estão as artes visuais de Juiz de Fora?


Edição de 2009 da Lei Murilo Mendes apresenta ínfima participação de artistas visuais da

cidade



Após um jejum de um ano sem lei de incentivo à cultura, Juiz de Fora anunciou em outubro os contemplados pela edição de 2009. Felizmente, o orçamento destinado às expressões artísticas locais aumentou, e 63 projetos irão dividir R$ 816 mil. Mas, o que poderia ser uma grande comemoração na área de artes visuais, reuniu assustadores dados.


O que aconteceram com os projetos de artes visuais esse ano? Dos 338 projetos, apenas 19 foram destinados à área mencionada. Logo na primeira fase, 125 foram desclassificados e desse número constaram 14 projetos de artes visuais. De acordo com a funcionária da FUNALFA, responsável pelo departamento de cultura e pela Lei Murilo Mendes, Adriana Abrantes, todos os casos de reprovação na primeira fase se deram pela ausência de uma documentação correta. “A gente seguiu rigorosamente o edital e exigiu todos os documentos”, relatou Adriana.


A maioria dos projetos reprovados não comprovou a residência da forma proposta pelo edital, o que indica uma falta de atenção no preenchimento da ficha de inscrição. Tal negligência não pode ser atribuída à Prefeitura, que durante o período de recebimento dos projetos disponibilizou um serviço de atendimento específico para a Lei, além de promover reuniões e discussões. “As pessoas foram convidadas a participar”, lamentou Adriana.


Um silêncio nas artes


A participação apontada pela FUNALFA é comprovadamente mínima nas manifestações de artes visuais da cidade. Dos 5 projetos aprovados para a segunda fase da Lei, que avaliou a consistência artística das propostas, 4 foram contemplados.


Cynara Visentim, Lúcio Rodrigues e Wagner de Castro (representante da Confraria de Arte) foram os proponentes vitoriosos com propostas de baixo custo, isto é, o orçamento não pode ultrapassar R$ 4 mil. Rogério de Deus foi o único artista local a conquistar a chancela da lei com seu projeto de alto custo.


Sendo assim, do total de projetos que pleitearam os benefícios do Fundo Municipal de Cultura, apenas 5,6% pertenciam à essa arte. Não bastasse o ínfimo interesse, apenas 3,4% de toda a verba foram destinadas às artes visuais.


Produzir artes visuais em Juiz de Fora com o apoio e/ou patrocínio da iniciativa privada é algo difícil e incomum. Diante dos lamentáveis números da Lei Murilo Mendes desse ano, é possível esperar que em 2010 soframos com o silêncio das artes. A Confraria de Arte, aprovada, lutará para que isso não aconteça, para tal, planeja uma grande exposição coletiva, com muito barulho.


Mauro Morais

Novo espaço novo


Os flashes como arte: Fotógrafa Nina Mello inaugura espaço inovador na cidade dedicado à fotografia

Flashes e mais flashes guardam todos os momentos do cotidiano. A câmera, que antes era artigo de luxo, tornou-se acessório indispensável do dia-a-dia. Os tempos mudaram. E quando falamos em fotografias, essa tese é comprovadamente correta, porque com as fotografias, o conceito de arte, na atualidade, também sofreu uma reformulada. Hoje as fotos invadem galerias e ganham status de arte mundo afora.
E engana-se quem pensa que a nobre atividade de fotografar perdeu seu espaço técnico com as avalanches de registros que encontramos diariamente. Locais dedicados, especificamente, à arte estão surgindo em todo o mundo, e no Brasil também. O Instituto Moreira Salles, por exemplo, é um dos maiores incentivadores da fotografia no país, além de manter um acervo invejado, que conta com mais de 600 mil imagens.

Os trabalhos são tão bem avaliados atualmente, que um dos fotógrafos brasileiros mais famosos, Miguel Rio Branco, apresenta produções que variam de R$ 5 mil a R$ 150 mil, de acordo com a Bolsa de Arte do Rio de Janeiro.

Juiz de Fora não poderia ficar de fora dessa onda. Inaugurado em 22 de Outubro, o Espaço Experimental Nina Mello chegou para, definitivamente, inserir a fotografia no mercado de arte local, incentivando novos artistas e servindo como ponto de encontro para os apreciadores. "A gente tem que tratar as fotografias da forma que elas merecem. Estou colocando-a no lugar de arte que ela também ocupa", destaca a fotógrafa que completa esse ano 20 anos de carreira.

O espaço conta com um laboratório e com um salão multifuncional, com exposições e cursos. Atualmente estão expostas 17 fotografias de Nina Mello, que contam um pouco de sua trajetória, além de homenagear espaços da cidade e locais com certa importância afetiva para Juiz de Fora (como Búzios e o Rio de Janeiro).
O olhar de Nina e o olhar do outro
Conhecida pelo uso do P&B, Nina iniciou sua carreira no fotojornalismo, trablhando em importantes publicações locais. Após realizar cursos com profissionais de destaque no cenário nacional, ela começou a exercitar o "descondicionamento do olhar" (método teorizado pelo fotógrafo e referência para a artista, Cláudio Feijó) , o que a capacitou a produzir uma obra extremamente autoral e cheia de identidade. "Mesmo sem ter o humano, as fotos da Nina têm uma presença de humanidade", declara o produtor cultural Cristiano Rodrigues, que junto com Valéria Jucá, realizaram a curadoria da mostra.
"Meu trabalho não é uma coisa concreta. Eu dependo do olhar do outro", emociona-se Nina, justificando a abertura de um espaço dedicado à sua arte. Cuidadosa em todos os estágios de seu trabalho, a fotógrafa realizou as impressões em São Paulo, com papel especial, semelhante à tela de pintura, o que corrobora ainda mais para a classificação atual das fotografias.
Dessa forma, num brinde à arte de fotografar, Juiz de Fora é presenteada, em concordância com as novas concepções artísticas e com os tantos artistas que despontam por trás das onipresentes lentes.
O Espaço Experimental Nina Mello funciona de segunda a sexta, das 14h às 18h, ou diante de agendamento pelo telefone (32) 8864.4698
Mauro Morais

Galeria Hiato abre espaço para novos artistas


O que fazem os novos artistas de Juiz de Fora? Essa e muitas outras perguntas pretendem ser sanadas com a exposição coletiva Carne Fresca, prevista para março de 2010, na Galeria Hiato – Ambiente de Arte.


Aberta em 15 de outubro as inscrições para participar da mostra vão até o dia 15 de dezembro e serão avaliadas pelo professor e artista plástico Petrillo, representante da galeria Hiato; pela artista plástica e professora Sandra Sato e pelo artista convidado Fabrício Carvalho, que farão a curadoria e organização da exposição.


Carne Fresca apresentará a produção de dez novos artistas de Juiz de Fora, maiores de 18 anos e com produção máxima de cinco anos. Não haverá restrição de linguagem artística, podendo participar artistas que exercem todo tipo de manifestação.


A mostra Carne Fresca deseja identificar artistas inciantes, apostando nos bons bifes para a ceia da arte local.

Maiores informações pelo site www.hiato.com.br

Editais, exposições e sites



Galerias do CCBM
Está aberto o edital para ocupação das Galerias Heitor de Alencar, Celina Bracher e Arlindo Daibert, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. As inscriçãos vão até o dia 4 de dezembro e contemplam o período de fevereiro a julho de 2010.
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Informações pelo site http://www.pjf.mg.gov.br/
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Cem Pratas de Arte
A Casa de Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora abriu inscrição para artistas interessados em participar da sétima edição da exposição-bazar Cem Pratas de Arte, que será realizada entre os dias 10 de dezembro e 8 de janeiro. A proposta da organização é difundir e popularizar a arte local, para isso, todas as obras expostas estarão à venda por preços que vão de R$1 à R$100. Para participar da mostra basta encaminhar os trabalhos até o dia 04 de Dezembro.
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Maiores informações pelo telefone (32) 3215.4694
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Lírica

Urbana

Provisória
O artista mineiro Estevão Machado apresenta, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, as histórias de Seu Grover, do catador de papel Caderlei, do pedreiro Claudiomar, do eletricista Paulo, do supervisor de pátio Gustódio, dos auxiliares de serviços gerais Lilian e José Elídio, do fotógrafo Flávio, da sambista Ângela, da copeira Sirlene, da faxineira Laci, da babá Valma, da doméstica Divina, do mecânico português Antônio, de Dona Paulina, Dona Maria, e outras seis pessoas. Pintadas em óleo sobre tela o artista apresenta à cidade suas obras inspiradas na rua, em personagens que no cotidiano constroem uma poética urbana. As vídeos-instalação da diretora Carol Nogueira fazem parte dessa produção que já passou pelos pontos de ônibus, estação de metrô e galerias de arte de Belo Horizonte. Confira!
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Moradas do Íntimo

Já pensou em ter sua casa ocupada por um artista plástico? Penso, ainda, em ter seu espaço modificado por um artista? Pois é isso que a mostra Moradas do Íntimo, em exposição na capital brasileira propôs. Dez casas serviram de ponto de partida para intervenções criadas por um artista plástico em consonância com o morador. O resultado é uma produção repleta de lirismo e muita sensibilidade, capaz de desvendar questões íntimas de cada morada. Para conferir um pouco desses trabalhos basta acessar o site criado pela organização:

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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Confraria Indica: + 2 Exposições

Essa semana Juiz de Fora recebe mais duas exposições: "Expansões", de Adauto Venturi e "Ensaios Inaugurais", dos alunos do curso de Arte e Design da UFJF. Ao todo, a cidade apresenta 9 exposições, o que pode significar um bom momento para as artes visuais local.

Experiente, Adauto Venturi é o segundo artista à ocupar o Spazzio Dell'Arte, no interior do Spazzio Design. Sob curadoria de Regyna Tortoriello, o artista apresenta oito telas que dão a uma impressão através do movimento e da forma de pintar. Filosofia e Psicologia se misturam nas obras de Venturi, integrante do Confraria de Arte.

"Ensaios Inaugurais" marca a volta dos estudantes de Artes à galeria do Fórum da Cultura, centro cultural da Universidade Federal de Juiz de Fora. Diversas técnicas, temáticas e suportes apresentam os novos artistas da cidade, muitos deles já integrantes do Confraria.
Conheça um pouco mais de Adauto Venturi em

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

domingo, 20 de setembro de 2009

Confraria Indica

100X França
Coletiva de fotógrafos franceses


Em “100 x France”, as cem reproduções apresentadas ilustram imagens importantes de um século na França e foram escolhidas dentre milhares de cópias conservadas na Biblioteca Nacional da França, no Museu d’Orsay e no Centro Pompidou, três das mais ricas coleções públicas existentes no mundo. A exposição conta também com reproduções de colecionadores particulares, fotógrafos e artistas.
Cada imagem é apresentada com um texto que conta a respectiva história da fotografia e de seu autor. Escolher apenas uma obra por artista permitiu que fossem expostos ao lado dos gênios Nicéphore Niépce, Louis-Adolphe Humbert de Molard, Gustave Le Gray, Charles Nègre, Eugène Cuvelier, os irmãos Bisson, Félix Nadar e Eugène Atget, fotógrafos menos conhecidos como Édouard Baldus, Charles Marville ou Auguste Collard, e também cópias de amadores anônimos ou célebres como Jacques Henri Lartigue ou o conde Robert de Montesquieu.
De 22 à 27 de setembro, ainda ocorrerá a Mostra de Cinema Francês - Homenagem a Jean Rouch. Vale conferir!
100X França - Coletiva
Local: Centro Cultural Bernardo Mascarenhas - Av. Getúlio Vargas, 200
Período: de 18/09 à 18/10
Entrada Franca
Maiores Informações:

Confraria Indica

Exposição FOCO 01
de Fabiana Cruz

A Casa de Cultura da UFJF abre suas portas para mais uma exposição selecionada pelo edital promovido no início do ano. A fotógrafa Fabiana Cruz apresenta o trabalho desenvolvido na Central Única das Favelas (CUFA) desde 2003, em projeto que pretende criar um arquivo fotográfico da organização. A mostra “Foco 1” contará com 84 fotografias de estilos variados que abrangem o universo de esporte, artes e dança.
FOCO 01 - Fabiana Cruz
Local: Casa de Cultura da UFJF - Av. Rio Branco, 3372
Período: de 20/08 à 02/10
Entrada Franca
Maiores Informações:

Confraria convida:

Casa nova! Ventos novos!
Esperamos todos lá!

Encontro no YouTube

Vídeo realizado por Igor Vinícius, do Encontro Mundial de Pintura ao Ar Livre

Assista!

Encontro Mundial de Pintura ao Ar Livre

Nosso encontro foi realizado no dia 12 de setembro, na praça João Pessoa, em frente ao Cine-Theatro Central, das 9h às 13h. Um sucesso!

Confira algumas fotos:


Leonardo Paiva
Kátia Lopes
Marcilene Ladeira


Ana Emília


Márcia Marques

Vanderci Macedo e Márcia Marques


Lucas Basílio, Márcia Marques e familiares


Mara Fernandes

Marcel Stocco (oco)

Pekena Gigante
Cilene Gomide
Cyleia Ferreira
Fotos de Igor Vinícius
Logo teremos mais fotos!

Confraria na imprensa

Ainda sobre o Encontro Mundial de Pintura ao Ar Livre:

Matéria veiculada no Jornal da Alterosa - Edição Regional, dia 12/09/2009
Matéria veiculada no Jornal MGTV - 1ª Edição, dia 12/09/2009
Matéria publicada no Jornal Tribuna de Minas, dia 11, 12 e 13/09/2009
Matéria divulgada na Rádio Catedral, dia 12/09/2009
Matéria divulgada na Rádio Solar FM, dia 12/09/2009


Sabendo de mais matérias, por favor, envie-nos!

Confraria na imprensa

Ao sabor do vento
Por Leonardo Toledo
Quem passar pelo Calçadão da Halfeld hoje pela manhã vai poder ter uma amostra do que vem sendo produzido em termos de artes plásticas em Juiz de Fora e arredores. Pela primeira vez, um grupo da cidade participa do Encontro Mundial de Pintura ao Ar Livre, evento que faz sucesso no mundo todo e que, há seis anos, também é realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na região, o movimento foi encabeçado pela Confraria da Arte, formada por artistas que se reúnem para discutir a produção artística do município.

O encontro, que acontece a partir das 9h, em frente ao Cine-Theatro Central, permitirá que o público conheça de perto as obras de diversos artistas, que estarão trabalhando no local. Além de técnicas de pintura variadas, haverá espaço para o graffiti e a cerâmica. A agitação cultural também ficará por conta da apresentação de performances.
Embora pintores de outras cidades da região tenham confirmado presença, a Confraria das Artes não tem uma estimativa do número de participantes. “Como o encontro é aberto, não podemos saber quantas pessoas estarão presentes. As expectativas são boas, mas não é algo pretensioso, porque esse é o nosso primeiro evento”, diz o assessor da entidade, Mauro Morais.

Aproximação com o público“Nossa intenção é aproximar o público de Juiz de Fora da arte e, com isso, fazer com que o debate sobre o tema aumente”, sintetiza a artista plástica Ana Emília. Com experiência no desenho e na pintura, ela se dedica ao graffiti há dois anos. A proposta de Ana para o encontro é criar um painel coletivo com outros grafiteiros da cidade. “Não sei quantas pessoas vão aparecer, mas convidei todo mundo que conhecia”, conta.

“O público nem sempre tem tempo de entrar em uma galeria. Por isso, essa é uma oportunidade de as pessoas conhecerem o trabalho que é realizado na cidade”, complementa o artista plástico Leonardo Paiva, integrante da confraria. Ao que parece, a espontaneidade será um dos trunfos dos artistas. Segundo o pintor, a produção será pautada pela perspectiva de cada participante diante da movimentação no calçadão, a exemplo do que faziam os pintores da virada do século XIX para o XX. “Pintar ao ar livre era uma tradição dos impressionistas. Eles chegavam aos locais e faziam o registro artístico daquele momento”, explica Paiva.

Organizada para fomentar a discussão sobre a arte e os rumos desse mercado na cidade, a confraria não conta com presidente ou diretor. Por esse motivo, o grupo foi o primeiro a se cadastrar no International Plein Air Painters (IPAP) como coletivo e não como pessoa física, conforme acontece habitualmente. “Com essa opção, tentamos evitar conflitos de relacionamento entre os integrantes e garantir mais abertura. Assim, as pessoas têm acesso à entidade de um modo mais fácil”, explica Mauro Morais. De acordo com ele, o encontro ao ar livre é coerente com a proposta da confraria, que, atualmente, reúne cerca de 30 artistas. “A meta é sair para a rua e levar nosso discurso, apresentar nosso potencial”, define.

ENCONTRO DE PINTURA AO AR LIVRE

Hoje, das 9h às 13h
Praça João Pessoa (Calçadão da Halfeld)
Fonte: Tribuna de Minas, dia 12/09/2009
Pintura une público e artistas
Tradicional ponto de encontro e de compras de Juiz de Fora, o Calçadão da Rua Halfeld transformou-se ontem em uma verdadeira galeria a céu aberto. Entre 9h e 13h, artistas amadores e profissionais, de diferentes faixas etárias e estilos, se reuniram para praticar sua arte na Praça João Pessoa, em frente ao Cine-Theatro Central e junto ao público que, entre curioso e encantado, acompanhou de perto o processo de criação. O evento integrou a programação do Dia Mundial de Pintura ao Ar Livre, realizado anualmente em vários países, como Estados Unidos, Canadá, Alemanha e França. No Brasil, além de Juiz de Fora, que foi inscrita por meio do Coletivo de Artistas Visuais, aderiram à proposta Maceió, Rio de Janeiro e São Paulo.

No Calçadão, o pintor Leonardo Paiva reproduziu, com traços e cores vigorosos, a arquitetura e a alma do Cine-Theatro Central. Entre uma pincelada e outra, explicou que a proposta é aproximar o público do artista e retirar o artista do isolamento dos ateliês. Ele conta que a pintura ao ar livre era uma tradição entre os impressionistas. “Agora, na era da internet, que nos leva a passar horas entre quatro paredes, estamos convidando as pessoas a ficarem ao ar livre para criar, tomar sol e conviver.” Circulando entre latas de spray, tubos de tinta, pincéis e trabalhos expostos, Nina Oliveira tocava flauta, enquanto tinha o corpo pintado pelas amigas Fernanda de Toledo e Ana Emília.

A cena surpreendeu o vendedor Licério Alberto, 44 anos. “Não estou entendendo muito bem, mas estou gostando. É arte, não é? Muito bonito”. Natural da Alemanha e ainda sem domínio da língua portuguesa, Elizabeth Janik, 24, acompanhou a movimentação. “Ótima idéia. Tem gente de todo o tipo aqui, ricos e pobres.” As peças produzidas ontem devem fazer parte de uma mostra, ainda sem data e local agendados.
Fonte: Tribuna de Minas, 13/09/2009

Confraria na imprensa

Capa da seção Cidade - Acessa.com
Semana do dia 13 de setembro
Acessa.com
Matéria publicada no dia 12/09/2009





sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Confraria na imprensa

Jornal JF Hoje - Página 4 - Cidade
Dia 11 de setembro

Confraria na imprensa

Site Zine Cultural - Seção de Eventos
Dia 10 de setembro

Confraria de Arte traz a Juiz de Fora Encontro Mundial de Pintura ao Ar Livre

O Coletivo de Artistas Visuais de Juiz de Fora e Região celebrará, pela primeira vez, o dia Mundial de Pintura ao Ar Livre com execuções na Praça João Pessoa, em frente ao Cine-Theatro Central
"Não há dois dias iguais, nem mesmo duas horas; e nunca houve duas folhas iguais desde a criação do mundo", dizia o pintor londrino Joseph Mallord William Turner em meados de 1800. Turner defendia a pintura ao ar livre, captando momentos preciosos do inconstante estado natural. Pioneiro, o artista saiu de seu ateliê e começou a pintar nas ruas de Londres, revolucionando a arte e apresentando mais um espaço de criação.

No dia 12 de setembro, sábado, o coletivo de artistas Confraria de Arte participará do Encontro Mundial de Pintura ao Ar Livre, que propõe o uso do espaço público como ateliê de criação. O local escolhido para o evento é a Praça João Pessoa, em frente ao Cine-Theatro Central, um dos mais importantes pólos de cultura da região. Como grande característica da pintura ao ar livre e das propostas do Confraria de Arte, o encontro será aberto a todos os artistas de Juiz de Fora e cidades próximas, que receberão certificado de participação, além de viverem um momento de interação com outros artistas e com o público.

O encontro está cadastrado no International Plein Air Painters (IPAP), organizador do evento anual. A associação norte americana realiza em setembro os encontros que ocorrem no mundo inteiro. Esse ano França, Alemanha, Canadá, Austrália, Estados Unidos, Nova Zelândia, Caribe e Brasil já estão confirmados. No sábado próximo, a pintura ao ar livre tomará conta de Alagoas e Juiz de Fora, no dia seguinte Rio de Janeiro e São Paulo.

O Brasil já participa do Encontro há 6 anos, tendo no Rio de Janeiro a maior concentração de artistas. Ano passado os pintores ocuparam a Lagoa Rodrigo de Freitas e esse ano, prometem se inspirar com a paisagem do Jardim de Alah. O mesmo sucesso é esperado em Juiz de Fora, que ganhou em maio um coletivo de artistas visuais, que pretende não apenas estudar e discutir a arte local como também fomentá-la e incentivar a formação de público. E o Encontro Mundial de Pintura ao Ar Livre é um grande passo nesse rumo, visto que mostra à cidade o momento mais caro ao artista: a criação.
Mauro Morais

Confraria convida:


Participe!!!




sábado, 22 de agosto de 2009

Confraria Indica:

Bons textos, belas fotografias e deliciosas curiosidades!
Um grande acervo de arte visual!
Confira!
www.artistasvisuais.com.br

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Visita ao Ateliê de Kátia Lopes


Confraria convida

Visita ao ateliê da confratária Kátia Lopes

Sábado - dia 22 de Agosto - às 17h
Traga seu trabalho, uma garrafa de vinho e um tira-gosto.
O encontro pretende ser uma apresentação dos trabalhos dos artistas envolvidos, além de ser uma comemoraração do sucesso da Confraria de Arte.

O endereço do Ateliê da Kátia:
Rua Belarmina de Oliveira Teixeira, 55 - Bosque dos Pinheiros
Para quem vai de ônibus, deverá pegar o ônibus São Bernardo (437).

Horário do ônibus:
Saídas de SAO BERNARDO: 05:55 06:30 07:05 07:40 08:15 08:50 09:25 10:00 10:35 11:10 11:45 12:20 12:55 13:30 14:05 14:40 15:15 15:50 16:25 17:00 17:35 18:10 18:45 19:20 19:55 20:30 21:05 21:45 22:25 23:00
Saídas de CENTRO: 06:10 06:45 07:20 07:55 08:30 09:05 09:40 10:15 10:50 11:25 12:00 12:35 13:10 13:45 14:20 14:55 15:30 16:05 16:40 17:15 17:50 18:25 19:00 19:35 20:10 20:45 21:20 22:05 22:40 23:10

Contamos com vocês!
Até lá!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Casa de Cultura expõe fotos de Fabiana Cruz sobre a CUFA

Nega Gizza chega à cidade para abertura de exposição de fotografias que revelam cotidiano na CUFA, do Rio de Janeiro, e participa de mesa-redonda

No dia 20 de agosto, a Casa de Cultura da UFJF abre suas portas para mais uma exposição selecionada pelo edital promovido no início do ano. A fotógrafa Fabiana Cruz apresenta o trabalho desenvolvido na Central Única das Favelas (CUFA) desde 2003, em projeto que pretende criar um arquivo fotográfico da organização.

A mostra “Foco 1” contará com 84 fotografias de estilos variados que abrangem o universo de esporte, artes e dança. “É um momento único, pois está retratado ali o meu crescimento como pessoa e o meu aprimoramento profissional no segmento em que optei trabalhar”, avalia Fabiana.

No mesmo dia da abertura da exposição, a Casa de Cultura receberá Nega Gizza, cantora e fundadora da CUFA. Durante a tarde, a artista e ativista social terá um encontro com os jovens envolvidos no projeto Educação e Cultura Geracional, moradores dos bairros São Pedro e Dom Bosco.

Aprovado pelo Ministério da Cultura, o projeto Educação e Cultura Geracional agrega agentes culturais dos bairros, valorizando a produção artística local, e tem o objetivo de ampliar o acesso dessas comunidades aos equipamentos, produtos culturais e artísticos fornecidos pela Universidade.

À noite, às 19h, Nega Gizza participa uma mesa-redonda com a integrante do coletivo feminista Maria Maria – Mulheres em Movimento Fabíola Paulino, que debaterá sobre a mulher negra na sociedade e o coletivo em Juiz de Fora.

Conhecida pelo envolvimento com a cultura de periferia, Giselle Gomes Souza, a Nega Gizza, é carioca e desde cedo descobriu o talento para a música. Cantora premiada pela voz de timbre marcante, ela foi a primeira locutora de uma rádio de rap, tarefa que ainda exerce.

Nega Gizza fundou a CUFA junto a dois grandes parceiros na música, o rapper MV Bill e o produtor Celso Athayde, numa iniciativa de valorização da cultura nas favelas brasileiras. Além disso, ela preside o núcleo Maria Maria da ONG, com projetos destinados apenas às mulheres, figuras presentes em toda a sua obra musical.

Na mesa-redonda, Nega Gizza vai apresentar vídeos e comentar projetos desenvolvidos, como o CineCUFA, festival destinado às produções de moradores de favelas; a Liga Brasileira de Basquete de Rua (LIBBRA), que consiste na realização de circuitos do esporte em diversas regiões do país; o Hútuz, maior premiação do Hip-Hop na América Latina, entre outras iniciativas promovidas pela organização a fim de promover a cultura desenvolvida nas favelas de todo o Brasil.

Exposição: Abertura - 20 de agosto 2009 - 20h00

Período de visitação: 21 de agosto a 02 de outubro de 2009

Horário: segunda à sábado - 14 às 18h00

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Fase Final - Projeto Confraria de Arte

JUIZ DE FORA - 17/8/2009 - 11:05 - Site do PJF

Lei Murilo Mendes – Funalfa divulga classificados para fase final de avaliação

Centro e quarenta e quatro projetos foram classificados para a fase final de avaliação da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura – Edição 2009. A lista completa pode ser conferida no site da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) ou na sede da Funalfa, no Parque Halfeld, pelo número do protocolo de inscrição. Foram aprovadas na segunda etapa de julgamento, as propostas que obtiveram nota igual ou superior a 80 pontos, em uma escala de zero a cem, atribuída por consultores contratados pela Funalfa. Na última etapa, os projetos classificados serão avaliados pela Comissão Municipal de Incentivo à Cultura (Comic), que também atribuirá notas de zero a cem, considerando os mesmos critérios utilizados pelos consultores e estabelecidos em edital: consistência, exequibilidade, efeito multiplicador e impacto cultural. Os proponentes que não obtiveram valor mínimo de 80 pontos em seus projetos têm até a próxima sexta-feira, 21, para entrar com recurso, solicitando reexame. A orientação é procurar a Secretaria da Lei Murilo Mendes, na sede da Funalfa, das 9h às 12h e das 14h às 18h, para protocolar o pedido, sem cobrança de taxa. A nova avaliação não será feita pelo mesmo consultor que atribuiu a primeira nota. Diferente dos anos anteriores, e como previsto em edital, será indicado outro avaliador, de modo que haja uma visão diferenciada sobre a proposta. A expectativa da Funalfa é de que o resultado final da Lei Murilo Mendes seja divulgado na última semana de setembro. Serão aprovadas as propostas que obtiveram maior média aritmética no somatório das notas atribuídas pelos consultores e pela Comic. Nesta edição, o valor total de recursos destinados ao financiamento dos projetos aprovados é de R$ 1 milhão, com contingenciamento de 30%, conforme previsto no Decreto Municipal 09764/09.

Confira o número de protocolo dos projetos classificados para a última etapa:

001/09; 004/09; 005/09; 006/09; 009/09; 010/09; 011/09; 012/09; 014/09; 017/09; 019/09; 022/09; 029/09 031/09; 033/09; 034/09; 035/09; 036/09; 037/09; 038/09; 041/09; 042/09; 043/09; 044/09; 045/09; 046/09; 047/09; 048/09; 050/09; 055/09; 059/09; 063/09; 064/09; 065/09; 066/09; 068/09; 069/09; 071/09; 073/09; 074/09; 075/09; 076/09; 080/09; 081/09; 084/09; 087/09; 088/09; 093/09; 094/09; 096/09; 097/09; 100/09; 101/09; 103/09; 104/09; 105/09; 109/09; 113/09; 114/09; 117/09; 119/09; 121/09; 124/09; 125/09; 128/09; 129/09; 132/09; 133/09; 134/09; 137/09; 141/09; 148/09; 152/09; 153/09; 154/09; 155/09; 157/09; 158/09; 159/09; 160/09; 163/09; 165/09; 166/09; 168/09; 170/09; 173/09; 177/09; 178/09; 182/09; 183/09; 184/09; 188/09; 189/09; 190/09; 194/09; 195/09; 197/09; 199/09; 201/09; 208/09; 213/09; 217/09; 218/09; 220/09; 226/09; 228/09; 230/09; 239/09; 242/09; 245/09; 247/09; 248/09; 250/09; 252/09; 255/09; 257/09; 264/09; 268/09; 269/09; 270/09; 271/09; 272/09; 273/09; 276/09; 278/09; 280/09; 283/09; 284/09; 288/09; 292/09; 297/09; 301/09; 302/09; 303/09; 308/09; 309/09; 310/09; 314/09; 315/09; 321/09; 325/09; 329/09; 335/09; 337/09.

domingo, 16 de agosto de 2009

Bolsa Agente Escola Viva até 28 de agosto

Apoiar financeiramente projetos pedagógicos que integrem Cultura e Educação e visem contribuir para um sistema de ensino com melhor qualidade. Esse é o objetivo do Bolsa Agente Escola Viva 2009. Com recursos de mais de R$ 4,3 milhões, a Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (SCC/MinC) disponibilizará 300 bolsas para Pontos de Cultura que desenvolvam iniciativas em parceria com escolas e organizações estudantis. O valor recebido por cada proposta selecionada será de R$ 43.680,00, a serem divididos entre os parceiros que desenvolverão a iniciativa, da seguinte forma: R$ 10 mil para o Ponto de Cultura; R$ 20 mil para a instituição educacional; R$ 5 mil para o professor coordenador do projeto; e o restante em três bolsas mensais de R$ 380,00, por um ano, para os estudantes participantes. No período de 15 de julho até 28 de agosto, os proponentes poderão inscrever junto à SCC/MinC o projeto pedagógico de caráter cultural conforme as especificações do edital, acompanhado da documentação exigida.

Veja edital no site http://www.cultura.gov.br/

Fonte: MinC

sábado, 15 de agosto de 2009

Sobre Identidade

Acho importante sim conhecer o outro, pois só assim podemos compreender o que move cada um. Criar esta identidade dentro de um coletivo passa pela visão de cada um e pela maneira como cada qual o outro, ou como cada um se posiciona em relação ao grupo em que está inserido.

Quando trabalhei na FUNALFA, na década de 90, tive a vontade de reunir vários artistas de JF e começamos a criar primeiramente um cadastro que deu origem a um banco de dados e daí começamos a direcionar projetos e exposições que reuniram artistas iniciantes e também os mais experientes e esta troca foi muito importante na época. Sempre achei primordial incentivar aqueles que estavam começando e sempre sentimos a falta em Juiz de Fora de uma estrutura que permitisse ao artista divulgar melhor o seu trabalho, assim como, ajudá-lo a alavancar sua própria carreira. Desenvolvemos vários projetos que reuniam outras atividades paralelas como a música, poesia e dança por acreditarmos desde então que a formação de público para a artes plásticas em Juiz de Fora era muito restrita e achávamos que unir atividades artísticas poderia atrair um público mais variado e que aos poucos iriam se apropriando de outras atividades antes desconhecidas para eles.

A Lei Murilo Mendes surgiu como uma das alternativas para o artista divulgar e ampliar o seu trabalho mas desde seu inicio foram poucos os artistas plásticos que tiveram propostas inscritas. Tenho certeza que não é por falta de projetos nem falta de idéias, mas sim falta de uma estrutura organizacional que possa ajudar aos artistas a concretizarem seus projetos.

De minha parte senti muito desanimada com o mercado em JF e desde 2005 não faço uma exposição individual. Tenho preferido atuar mais na área de arte-educação e tenho me dedicado muito a dar este incentivo a jovens alunos que percebo que tem muito talento, mas pouca iniciativa e capacidade de perseguir seus sonhos e realizá-los.

Atualmente tenho me voltado mais para a fotografia do que o desenho, apesar de reconhecer que minha paixão será sempre o desenho, mas a minha necessidade de expressão atualmente passa por outros caminhos. Já não preciso ver meus quadros sendo vendidos para me sentir realizada ou não acho mais que preciso viver de arte, mas fazer de todas as atividades que exerço uma manifestação artística.

Houve um tempo em que achei que colecionar prêmios em salões e realizar exposições de sucesso seria a realização total para qualquer artista. Hoje acho que toda está estrutura do mercado de arte é questionável. Quem pode dizer o que é arte ou não é? Quem pode dizer que um trabalho é melhor que outro trabalho? E finalmente quem pode ser capaz de determinar quem vai para a posteridade e quem vai ser esquecido após a sua morte?

Acho que me sinto mais feliz realizando um trabalho com uma preocupação estética e procurando agregar mais valores aos serviços que faço de design ou de decoração e sei que a diferença está no quanto de paixão que adicionamos ao ingrediente básico do nosso dia-a-dia.

Já fui muito idealista, sonhadora, andei muitas vezes com pastas e mais pastas embaixo do braço tentando divulgar e vender minhas idéias. Ás vezes sinto que fiquei menos audaciosa, outras sinto que fiquei mais consciente e pé no chão, enfim acho que o mais importante é acompanhar a evolução do mundo, da arte, dos conceitos e tentar fazer tudo da maneira melhor possível e principalmente da maneira que nos faça mais feliz. Afinal, eu costumo dizer que precisamos fazer da vida uma arte e da arte um alimento para a vida, e isto eu tenho procurado colocar como meta para continuar o meu caminho.

Rose Valverde

Profa. de Artes no CEM – Centro de Educação de Jovens e Adultos – Desenho artístico, desenho de moda e desenho em quadrinhos; Designer gráfico; web designer; Decoradora e Produtora cultural. Cursando pós-graduação em Arte, Cultura e Educação pela UFJF /Belgo Arcelor.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Confraria Indica:


Confraria Indica:


Primeira etapa da Lei - Projeto Confraria de Arte

Lei Murilo Mendes – 125 projetos são eliminados na primeira etapa de avaliação

Fonte: Site da PJF

A primeira etapa de avaliação dos projetos inscritos na edição 2009 da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura eliminou 125 dos 338 projetos inscritos. Foram desclassificadas 33 propostas na área de Música, 29 em Literatura, 14 em Artes Cênicas, 14 em Artes Visuais, 11 em Audiovisual, nove em Patrimônio, Memória e Identidades Culturais, três em Pesquisa e 12 em Outras. A fase inicial refere-se à análise documental. A não apresentação dos documentos exigidos em edital implica em eliminação automática das propostas inscritas, independente da qualidade das mesmas. Conforme previsto no edital, não cabe recurso nesta etapa do processo.

A segunda fase de avaliação da Lei Murilo Mendes, que corresponde à análise de conteúdo, feita por consultores contratados pela Funalfa, já está em andamento e a previsão é de que os resultados sejam divulgados na próxima semana. Neste estágio do processo, cada proposta é avaliada por um profissional ligado à área na qual o projeto foi inscrito, considerando os critérios estabelecidos no edital: consistência, exequibilidade, efeito multiplicar e impacto cultural. Os consultores atribuem notas de zero a cem, sendo que somente os projetos com nota igual ou superior a 80 pontos são encaminhados para a fase final de avaliação. Os proponentes que obtiverem nota inferior a 80 terão direito a pedido de reexame, em um prazo de cinco dias úteis, a partir da data de publicação do resultado.

Na etapa final, a Comissão Municipal de Incentivo à Cultura (Comic) avalia os projetos, atribuindo notas também entre zero e cem, utilizando os mesmos critérios dos consultores. Serão aprovadas as propostas que obtiverem maior média aritmética no somatório das notas atribuídas pelos consultores e pela Comic. A previsão é de que o resultado final seja divulgado na última semana de setembro. Nesta edição da Lei Murilo Mendes, o valor total dos recursos destinados ao financiamento dos projetos aprovados é de R$ 1 milhão, com contigenciamento de 30%, conforme previsto no Decreto Municipal 09764/09.

Número de inscrição dos projetos eliminados

002/09; 013/09; 015/09; 016/09; 021/09; 024/09; 025/09; 027/09; 039/09; 049/09; 052/09 056/09; 058/09; 060/09; 061/09; 062/09; 078/09; 079/09; 082/09; 085/09; 090/09; 098/09; 099/09; 102/09; 106/09; 107/09; 110/09; 112/09; 115/09; 118/09; 122/09; 127/09; 130/09; 138/09; 139/09; 144/09; 145/09; 146/09; 147/09; 149/09; 150/09; 161/09; 164/09; 171/09; 172/09; 174/09; 175/09; 176/09; 179/09; 180/09; 181/09; 185/09; 186/09; 191/09; 192/09; 196/09; 198/09; 202/09; 204/09; 205/09; 206/09; 207/09; 209/09; 212/09; 215/09; 216/09; 217/09; 219/09; 221/09; 222/09; 224/09; 225/09; 227/09; 229/09; 231/09; 232/09; 233/09; 235/09; 238/09;241/09; 243/09; 244/09; 246/09; 249/09; 251/09; 256/09; 258/09; 260/09; 261/09; 262/09; 265/09; 266/09; 274/09; 275/09; 281/09; 282/09; 285/09; 286/09; 287/09; 289/09; 291/09; 293/09; 294/09; 295/09; 298/09; 299/09; 300/09; 301/09; 305/09; 306/09; 307/09; 311/09; 313/09; 316/09; 318/09; 320/09; 322/09; 323/09; 324/09; 327/09; 328/09; 330/09; 332/09; 336/09; 338/09.

Confraria Indica:

40 ANOS DE WODSTOCK – A ENCRUZILHADA DA CONTRACULTURA

CICLO DE DEBATES

10 a 14 / 18 a 21 de Agosto de 2009

LOCAIS:

ANFITEATRO JOÃO CARRIÇO (Exibição de filmes e debates)

ESPAÇO CULTURAL MEZCLA (Mesas Redondas, debates e show)

Mais do que apenas um evento que marcou uma era da música popular mundial o festival de Woodstock tornou-se um dos símbolos mais fortes da chamada “contracultura” em seu período de maior ebulição. Partindo dessa idéia, “40 ANOS DE WOODSTOCK – A encruzilhada da Contracultura” tem como objetivo propiciar um espaço para reflexão sobre este fenômeno social, suas influências sobre a cultura, o comportamento e seus desdobramentos políticos.

Dentro desta perspectiva serão realizados debates, exibição de vídeos e de fotos do período (não só relacionados ao Festival, mas abarcando a questão da contracultura), exposição de capas de vinis, apresentação musical, entre outros.

Vale destacar que a referida contracultura se constituiu em um conjunto de manifestações das mais diversas naturezas que colocaram em cheque paradigmas da civilização ocidental contribuindo para o avanço de causas como ecologia e desenvolvimento sustentável, busca por alimentação mais criteriosa, direitos das mulheres e dos homossexuais, igualdade racial, abertura a diferentes formas de espiritualidade, entre outros.

PROGRAMAÇÃO:

EXIBIÇÃO DE FILMES (Seguida de debates):

(ANFITEATRO JOÃO CARRIÇO – 19:00h)

ENTRADA FRANCA

- DIA 10 DE AGOSTO, SEGUNDA-FEIRA

Zabriskie Point (1970) - EUA

Direção: Michelangelo Antonioni

Duração: 110 minutos

Sinopse: Lançado em 1970, aborda uma das expressões da contracultura dos EUA na época. O filme conta a história de um jovem casal — uma jovem secretária idealista e um militante radical — para transmitir uma mensagem "anti-establishment". Daria, estudante de antropologia que está ajudando a construir uma cidade no deserto de Los Angeles; e Mark, rapaz que largou os estudos e está sendo procurado pela polícia sob suspeita de ter assassinado um policial durante um tumulto estudantil. A trilha musical inclui Pink Floyd, The Youngbloods, The Kaleidoscope, Patti Page, Jerry Garcia, e Grateful Dead. No Brasil este filme foi proibido pela Ditadura Militar na década de 1970.

- DIA 11 DE AGOSTO, TERÇA-FEIRA

Across The Universe (2007) – EUA

Direção:
Duração: 133 minutos

Sinopse: Musical que recria a partir das canções dos Beatles o turbulento período da década de 1960 e as transformações comportamentais vividas pela juventude.

- DIA 12 DE AGOSTO, QUARTA-FEIRA

Psych Out (1968) – EUA

Direção: Richard Rush

Duração: 82 minutos

Sinopse: No auge da cultura psicodélica, Psych-Out é centrado sobre o personagem da fugitiva Jennie (Susan Strasberg), abrigada por uma comunidade hippie onde uma banda de rock liderada pelo freak Stoney (Jack Nicholson) encarrega-se de dar-lhe apoio para que encontre o irmão Steve (Bruce Dern). Vítima de um trauma familiar, Jennie é surda, mas tem a capacidade de compreender a linguagem dos novos amigos através dos movimentos labiais. Determinada a encontrar Steve a qualquer custo, ela circula pelo underground de San Francisco. Vigoroso registro da Cultura Flower Power feito em pleno momento de sua vigência.

OBS. Legendas em espanhol

- DIA 18 DE AGOSTO, TERÇA-FEIRA

Woodstock (1970) – EUA

(Parte 01)

Direção: Michael Wadleigh

Duração: 116 minutos

Sinopse: 1969... Martin Luther King e Robert Kennedy estavam mortos a tiros. A guerra do Vietnã era francamente repudiada e constestada... Em agosto desse mesmo ano, mais de 500.000 pessoas se reuniram em uma pequena fazenda, nos arredores de Nova York para celebrar, durante mais de três dias com muito Rock and Roll e espírito comunitário. Mais do que palavras de ordem, paz e amor garantiram o maior festival da música do planeta. No ano seguinte, o mundo pôde assistir ao primeiro e único filme sobre esse encontro mágico, grande vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 1994.

- DIA 19 DE AGOSTO, QUARTA-FEIRA

Woodstock (1970) – EUA

(Parte 02)

Direção: Michael Wadleigh

Duração: 143 minutos

- DIA 20 DE AGOSTO, QUINTA-FEIRA

Balada de Jack e Rose (2005) – EUA

Direção: Rebecca Miller

Duração: 112 minutos

Sinopse: Sobrevivente do pensamento livre dos anos 60/70, Jack é o último morador de uma comunidade hippie em uma ilha recentemente invadida pela especulação imobiliária. Carregado de idealismo, Jack criou sua filha Rose acreditando protegê-la do inóspito mundo pós-moderno. Por trás de uma rotina aparentemente idílica insurge os tormentos de uma doença terminal e o desabrochar da adolescência.

- DIA 21 DE AGOSTO, SEXTA-FEIRA

Kerouac o rei dos Beats (1986) – Alemanha

Direção: Klaus Maeck

Duração: 55 minutos

Sinopse: Documentário aborda vida e obra de Jack Kerouac, um dos principais escritores da geração Beat, autor do livro On The Road, influência fundamental para os movimentos contraculturais dos anos 60.

DEBATES:

(ESPAÇO CULTURAL MEZCLA – 20:00h)

ENTRADA FRANCA

- DIA 13 DE AGOSTO, QUINTA-FEIRA

Mesa redonda : 40 anos de Woodstock – A encruzilhada da contracultura

“Ecos de 1968 em Juiz de Fora: o movimento marginal” – Profª. Drª Christina Musse, jornalista e doutora em comunicação e cultura pela UFRJ; profª do curso de graduação em comunicação social da UFJF e membro do programa de pós-graduação da UFJF; autora do livro: Imprensa, Cultura e Imaginário Urbano: exercício de memória sobre os anos 60 / 70 em Juiz de Fora.

“Presença da Contracultura na Poesia Brasileira dos Anos 70” – Profº Drº André Monteiro, professor do Mestrado em Letras da UFJF.

“Beat: Uma Geração Pioneira” – Drª. Valéria Leão Ferenzini.

“Política e Sociedade na Contracultura” – Edwald José Winand, historiador formado pela UFJF, com pós-gradução em Filosofia e livreiro.

Introdução, apresentação e mediação de Bruno Tuler, Historiador com pesquisas na área de história da Música Popular e do Carnaval e Pós-graduando pela Universidade Federal de Juiz de Fora.

Exposição de Capas de Vinis.

- DIA 14 DE AGOSTO, SEXTA-FEIRA

ENTRADA FRANCA

Mesa redonda: Contracultura e seus ecos na música popular do Brasil.

(ESPAÇO CULTURAL MEZCLA – 20:00h)

Exposição de Capas de Vinis.

SHOWS:

- DIA 14 DE AGOSTO, SEXTA-FEIRA

(ESPAÇO CULTURAL MEZCLA – 22:00h)

OBS. SERÁ COBRADO COUVERT ARTÍSTICO

PROGRAMAÇÃO

QUINTETO SÃO DO MATO - Revezando-se nos instrumentos, os músicos vão do embalo dos ritmos latinos, passando por toques africanos, até as músicas ciganas do Meio Oriente, além dos diversos ritmos brasileiros, como: samba, choro, frevo, maracatu baião. Formado em Juiz de Fora por Chadas Ustuntas (Ordu- Turquia), Márcio Guelber (Juiz de Fora), Henrique Novaes (Lima Duarte), Maíra Delgado (Lima Duarte) e Nara Pinheiro (Juiz de Fora), o quinteto São do Mato vem buscando através do dialogo de ritmos e melodias tradicionais da Turquia e do Brasil, uma identidade musical que não é limitada por fronteiras.

FERRO VELHO - Juiz de Fora volta aos anos clássicos do Rock’n Roll e do Soul. A banda Ferrovelho chega para uma viagem aos anos 60 e 70 com referências ao tropicalismo e ao melhor do rock inglês e norte-americano: Led Zeppelin, Deep Purple, Aerosmith, Pink Floyd, Janis Joplin, Secos e Molhados e Mutantes. A banda Ferrovelho foi fundada em 2003 pela vocalista Monique Leitão. O outro integrante mais antigo é o guitarrista Corélio. De lá para cá, a banda sofreu algumas alterações e, além destes dois, é formada, atualmente, por Giovanni Stroppa na guitarra, Fred Fonseca no baixo e João Cordeiro na bateria.

FBI - Com Danniel Goulart (violão e vocais), Edson Leão (violão e vocais) e Luiz Lima (percussão e vocais). MPB e rock em versões acústicas, com ênfase nos arranjos vocais e no swing da percussão. No repertório, clássicos dos anos 60 e 70 (Beatles, Santana, Mutantes, etc.) e MPB de nomes como Alceu Valença, Zé Ramalho, Chico Buarque, entre outros.

ORGANIZADORES:

Edson Leão Ferenzini – Músico e Jornalista, formado pela UFJF com Mestrado em Teoria da Literatura e pesquisas relacionadas à influência da contracultura sobre a Música Popular Brasileira. É também professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac) em Juiz de Fora.

Valéria Leão Ferenzini – Doutora em História Social pela UFRJ.

Edwald José Winand – Historiador formado pela UFJF, com pós-gradução em Filosofia e livreiro.

Bruno Tuler – Historiador com pesquisas na área de história da Música Popular e do Carnaval e Pós-graduando pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Também atua como letrista em parcerias com vários compositores juizforanos.

APOIO:

Funalfa

Cultural Bar

C.A. de História do CES

Liberdade Livros

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Exposição no MAMM revela a expressividade da matéria

Materiais tão distintos quanto madeira, ferro, tecido e zinco adquirem as mais variadas formas e cores nas mãos dos 18 artistas plásticos autores das obras que integram a exposição “Materialidade na arte brasileira”, em cartaz na galeria Retratos-Relâmpago do Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM).

“Estão reunidos aqui demiurgos contemporâneos, artistas que se manifestam também pela materialidade de suas obras e que têm no palpável uma expressão idiomática para tocar os sentidos de seus interlocutores”, descreve a artista plástica Sandra Sato, no texto de abertura da exposição.

Assim como as técnicas e os materiais utilizados, a temática das obras também é diversificada. “Receituário e Genéricos”, de autoria do artista plástico César Brandão, traz à tona questões como mídias digitais, fotografia, desenho, pintura, e body art.

Segundo o artista, a obra surgiu da cópia em scanner de uma ferida no pulso, resultando em imagem que foi trabalhada em computador e impressa em papel fotográfico.
Posicionada ao centro da galeria, a obra interage com a arquitetura do espaço, adquirindo novas significações. “Em várias cópias coladas ao piso do museu, a imagem ganhou função de suporte do conjunto de objetos de madeira e alumínio ali expostos, aproximando-se de escultura, objeto, instalação e, talvez, site specific: obra de arte pensada em função de lugar específico”, analisa Brandão.

Já “Cicatrizes”, confeccionada em ferro por Valéria Faria, surgiu especialmente para uma mostra na qual o trabalho da artista dialogava com a poesia de Murilo Mendes. “Criei ‘Cicatrizes’ 10 anos atrás, para exibi-la na exposição ‘Personagem de enigma’, na qual apresentei trabalhos relacionados a uma seleção que fiz de poemas de Murilo”, revela Valéria.

Além deles, os artistas Marcelo Silveira, Arlindo Daibert, Ricardo Cristofaro, Emmanuel Nassar, Mauricio Bentes, Siron Franco, Leo Brizola, Sonia Gomes, Luiz Henrique Schwanke, Leonino Leão, Jorge Fonseca, Paulo Miranda, Iole de Freitas, Nelson Augusto, Flávio Ferraz e Leila Danziger participam da exposição.

“Materialidade na arte brasileira” permanece em cartaz até o final do mês de setembro, de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados e domingos, das 13h às 18h. O MAMM localiza-se à Rua Benjamin Constant, nº 790.

Outras informações:
Pró-reitoria de Cultura: (32) 2102-3964
MAMM: (32) 3229-9070

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Intervenção Urbana


Intervenção urbana

"As cidades, armadas por uma nova trama de circuitos de arquitetura, transporte e comunicação, rasgam-se em todas as direções. Um avanço que converte num amálgama de áreas desconectadas. Espaçamento e desmaterialização são mecanismos da expansão urbana. Ao avançar, a metrópole deixa um vácuo atrás de si. E estes espaços, que antes repousavam esquecidos nos becos, cantos e paredes, agora serão resgatados."

José Linhares Jr.


Por que intervir na cidade? – Interferências refletem rupturas do cotidiano urbano e com os espaços cinzas que o concreto proporciona. Tudo isso provocado pela busca de uma nova situação, pela supressão dos padrões de medidas e da introdução de estruturas descontínuas e relações sem hierarquia. Enfim, liberdade. Como gosta de dizer o interventor urbano Rafo Castro. Nós pegamos o vazio e tentamos colori-lo. Todos aqueles espaços mortos, que geralmente passam despercebidos, começam a ser ressuscitados.
Rafo, natural do Rio de Janeiro, designer por profissão e interventor por ofício, é um dos novos artistas que tenta resgatar o brilho que as cidades perdem a cada dia, um dos novos adeptos da intervenção urbana artística. Tudo que acontece no meio urbano é uma intervenção. Desde o cara que vende bombons até aquele outdoor que vende refrigerante. O que diferencia o nosso trabalho dos demais é o caráter sumariamente estético, conceitua.
Provocar tensões entre as diversas operações urbanas (respeitando evidentemente a unicidade e a dinâmica de cada uma delas), amplificar seu significado e impacto urbano, cultural e social, intensificando a percepção (crítica inclusive), por parte do cidadão comum, destes processos, é a intenção da intervenção urbana.
Se você põe um cartaz em um orelhão, ou pinta um canto de parede qualquer, a pessoa não precisa saber de início o que aquilo é. O interventor dá a cor, o significado parte da subjetividade de cada um, diz Rafo.
Quando um artista, conscientemente, altera o meio urbano, ele constrói o novo. A partir daí, aos olhos da população que desconhece a existência do artista, a obra parece ter parado ali por acaso, diz o também designer e interventor, Marcelo Lustosa.
O não-movimento - Marcelo, assim como Rafo, faz parte desse, segundo eles mesmos, barulho. Movimento para mim foi a Tropicália, que era mais organizado e tinha aspectos mais complexos. Não considero a intervenção artística um movimento, mas uma nova forma de tornar o convívio entre arte e cidade mais agradável, avalia Rafo.
Intervenções urbanas não podem se restringir a situações circunscritas e controladas, como as que caracterizam as exposições e os movimentos. Elas devem tratar com circunstâncias que escapam por completo ao seu domínio, com variáveis incalculáveis e escalas muito maiores do que as abarcadas pelas ações previstas. Lidam com sistemas e movimentos infinitamente mais amplos e complexos. São intervenções que visam, a partir de ações tensionadoras e articuladoras, reorientar tendências, redirecionar fluxos e dinâmicas urbanas.
A reação do público é o fim, o palco (meio urbano) é o meio. Deixamos nossa subjetividade romper com o cotidiano alheio, informa o publicitário Marcelo Podestá.
Não é preciso legenda, a base é a subjetividade, quebra de rotinas, até mesmo da rotina de pensamento. A pessoa que passa na rua e vê uma intervenção, fica pensando naquilo por minutos, horas e até mesmo dias. Um novo movimento? Eu não acho. Concordo com o Rafo, é só um barulho que tem sua ressonância evidenciada na atenção do pedestre, fala Marcelo Lustosa.

Conceito - O trabalho do interventor, apesar de ser evidenciado na cor, ultrapassa a imagem e chega a ser, para muitos de seus adeptos, um novo conceito estético. Para estes jovens, hoje toda experiência urbana implica ruptura, distância. Tentativa de articulação de um espaço fragmentado, através das intransponíveis barreiras entre suas partes. Intervalos que se produzem no interior da própria cidade.
Marcelo Pedestá, que também aderiu ao barulho da intervenção, fala sobre união danosa entre publicidade e arte:
A arte usada pela propaganda possui um fim no dinheiro. Isto pode até bom, mas quando se escandaliza transforma tudo em logomarca. É uma mudança de valores, entende? Nos queremos ter como fim, não o dinheiro, mas a transformação.
A intervenção é antipublicidade porque não procura escancarar sua presença a todos, mas atingir com mais força o esquecido.
Imagine quantos cartazes e comerciais você é obrigado a ver todos os dias? Com o passar do tempo você vai se acostumando, e a propaganda vai aumentando para poder ser mais efetiva. Acho que vai chegar um dia que eles vão ter que pôr outdoors no céu, diz Rafo.
Nossa intervenção urbana é uma intervenção mais artística e menos compromissada. Você não paga para fazer, não exige que os outros vejam e nem cobra para ser visto. Faz tudo tendo em mente apenas um compromisso: a estética!, completa Rafo.
Vamos justamente no contrário disso. Um canto de parede, um orelhão, uma placa esquecida ou um vão qualquer são nossos espaços. Tamanho não é documento e quanto mais inacessível estiver a obra, mais estranhamento ela vai gerar, avisa Marcelo Lustosa.
Técnicas – As técnicas usadas pelos interventores são muitas, desde o artesanato até o uso de adesivos. No Brasil as mais utilizadas são os Graffites, o stencil e o lambe-lambe (cartaz), segundo Rafo.
O grafitte começou como uma vertente do movimento hip-hop. As curvas e o excesso de sombras são as características essenciais. As duas são causadas pelas limitações da ferramenta principal: o spray. O foco do spray não permite muito o uso de ângulos retos. Rafo costuma conversar sobre a história do graffite.
Tudo teve início em Nova York. Com o passar do tempo artistas plásticos começaram a utilizar as técnicas. Hoje, eu creio que a técnica superou o hip-hop. Até mesmo o uso de curvas e sombras em excesso foram abolidas. E as possibilidades hoje são maiores.
Rafo começou a intervir artisticamente na cidade por meio de uma outra técnica, os cartazes. Estes, por sua vez, começaram a ser utilizados pelo governo no período de guerras para recrutar pessoas e passar mensagens:
Comecei utilizando o lambe-lambe (nome dado aos cartazes em alusão à goma utilizada para afixá-los), que é a técnica mais indicada para os iniciantes. Além de ser fácil, você pode fazer em casa.
Marcelo Lustosa utiliza em suas intervenções uma outra técnica, o stencil. Ela também é muito simples. Você faz a forma do desenho em chapas de raios-x, dispõe a chapa na parede e vasa os espaços com tintas.
Sociedade – Em relação às posições que a sociedade toma em face as intervenções, os três estão convictos de que as opiniões se dividem:
Muita gente aprova, e tem uma outra parcela que condena, diz Rafo.
Às vezes, depende muito do tamanho da intervenção. Quando você está com um grupo pintando grandes telas, as pessoas te incentivam. Mas quando te vêem com uma tela de stencil e uma lata de spray na mão, são mais agressivas. A diferença do interventor e do pichador é muito grande. O interventor quer colorir, criar, dar vida a um espaço morto. O pichador só quer mesmo é aparecer, revela Marcelo Podestá.
Responsabilidade – Causar hiatos na narrativa urbana, interrupções no seu contínuo histórico não é vandalismo. Assim como propaganda disfarçada de arte não é arte, o mesmo acontece quando não se respeita a propriedade privada e o patrimônio da cidade. O que nós buscamos são os espaços intermediários, os mais passivos, as zonas mortas. Quando você intervém em uma obra de arte, como uma estátua ou casarão, não está sendo artístico, está sendo vândalo, aconselha Marcelo Podestá.
A cidade tem muito espaço a disposição. Eu, particularmente, nunca iria saber que no Rio existiam tantas caixas de energia se não tivesse começado a intervir nelas, diz Rafo.
Queremos provocar rearticulações no desenho da cidade, pela conexão de elementos afastados, e não pela destruição dos já consolidados, informa Marcelo Lustosa.